sexta-feira, 27 de março de 2009

Narnia for Grown-Ups - EM BREVE TRADUZIDO

Narnia for Grown-Ups

Adults love Narnia for its complex portrayals of good and evil and its celebration of the sacred in everyday life.

BY: Devin Brown

A list of elements in "The Lion, the Witch and the Wardrobe" that appeal to younger readers isn't hard to come up with-it might include an exciting story, wonderfully memorable characters, and a number of helpful lessons about life in the real world. But the story has an equally devoted following among older readers.

What are some of the aspects of C.S. Lewis's masterpiece that appeal to adults? Here are three of them.

In Narnia, much as Tolkien did in Middle-earth, C.S. Lewis provides us with a complex understanding of good. For example, in the chapter where the children meet Aslan, the narrator suggests most people don't understand that something can be "good and terrible at the same time." While this may not fit some Christians' overly-sentimentalized image of God, it certainly describes Aslan, the Christ-figure in the story. And despite those who think good always means happy, he is also portrayed as good and sad at the same time. In spite of those who assume that good always means easy, Aslan is both good and demanding. In "The Lion, the Witch and the Wardrobe," and in all the Chronicles, following Aslan involves facing a good deal of hardship, real hardship, hardship which must be taken seriously.

Mr. Beaver tells the children, "He isn't safe, but he's good." By this he means that while Aslan does provide comfort and consolation, he will also be a source of prodding and punishment when this is what is needed. When Aslan comes to Narnia, he also comes into the lives of the four children, and his coming is a calling as well, a calling beyond what is comfortable and safe, beyond what they have known and are used to.

By the way, it should also be pointed out that if there are older readers who see God as only good but not terrible, there may be some who see God as only terrible and not good. Lewis's story provides an equally powerful antidote for this imbalance also.

Secondly, in "The Lion, the Witch and the Wardrobe" adult readers will also find a complex understanding of evil. We don't just see the actions of evil characters, we come to understand why they behave the way they do. Over and over we see illustrations of the claim that no man (or woman) does evil in their own eyes. Like Sauron, depicted by Tolkien as a great single eye, those who commit evil in Narnia have lost any capacity for self-criticism. Sensitive readers will wonder to what extent in their own lives, they, like Edmund, are guilty of blaming others for their own failings. And at the same time, also like Edmund, they may wonder if they are totally blind to this fact.

The great desire of Lewis's evil doers is dominance. As the poet W. H. Auden has noted, this kind of evil "is not satisfied if another creature does what it wants; he must be made to do it against his will." In Tolkien's words, evil has one central desire, and that is "to rule them all."

Besides avoiding simplistic portraits of good and evil, "The Lion, the Witch and the Wardrobe" has a third area of appeal to an older audience. Time and again Lewis provides examples of finding the sacred in the ordinary, re-enchanting a world that for some older readers may have lost the sense of transcendence it had when they were children. While "The Lion, the Witch and the Wardrobe" includes elaborate feasts and formal celebration, for most readers it is the commonplace meals and the everyday beauty that resonate most profoundly, stirring feelings which run deep. You could say that in Narnia we find an appreciation for the sacramental ordinary. And this is something which adults may have a greater need for than do children.

The Chronicles of Narnia, perhaps more so than any other set of books, are able to unite very different kinds of people who join in their enjoyment and appreciation of them-not just the young and the old, but also believers and non-believers, the literary and the non-academic, and even very different kinds of Christians. And this is a remarkable gift Lewis has, one which we need now more than ever.

http://www.beliefnet.com/Entertainment/Movies/Narnia/Narnia-For-Grown-Ups.aspx

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  • Read Your Way Into Narnia
  • C.S. Lewis: The 'Reluctant Convert'
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  • segunda-feira, 9 de março de 2009

    Felicidade clandestina - Clarice Lispector

    EU AMO ESSE CONTO, RETRATA MUITO BEM A MINHA RELAÇAO COM OS LIVROS.
    JULIE


    CONTOS SELECIONADOS.


    Felicidade clandestina - Clarice Lispector

    *** Felicidade clandestina Clarice Lispector Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. ***


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