quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sem você

Sem você por perto
foi difícil voltar a vida
acostumada com seu carinho
necessitada da sua voz
dependente do seu beijo
tic tac tic tac
o tempo não parou
muito menos voltou
apenas continuou
sem dó, sem perguntar como
as coisas ficariam.
Tudo bem? tudo mal?
um ano sem você
dorme na gélida sepultura
a dor já eternizou seu rosto
em minha memória.
plantamos-te no jardim a um ano atrás
vai florir... eu sei que vai.
fostes para perto do Pai
junto aos anjos
onde é seu lugar
e saiba que nada
nunca
vai substituir você.
Tivemos que aprender a viver sem você,
mas isso não quer dizer que não faz falta,
sim.
Muita falta,
sempre existirá um lugar a mesa
uma cama vazia
uma família saudosa
um beijo de despedida
um riso guardado
um segredo enterrado
um amor parado no ar.
Todas as coisas aqui ainda são suas.
Chegará sim o dia em que estaremos 
juntos, todos juntos,
seremos para sempre
o que deveria ter sido aqui.


Julie F. de Pádua em homenagem ao meu grande amor JCNMJ.

O que disse o trovão - Uma poesia a você meu querido


 O QUE DISSE O TROVÃO
Após a rubra tocha nas faces suadas
Após o gelado silêncio nos jardins
Após a agonia em pedregosas regiões
O clamor e a súplica
Cárcere palácio brilho
Do trovão primaveril sobre longínquas montanhas
Aquele que vivia agora já não vive
E nós que então vivíamos agora agonizamos
Com uma certa paciência.
Aqui água não há, mas rocha apenas
Rocha sem água e  arenoso caminho
O deslizante caminho que sobe entre as montanhas
montanhas de rocha sem água
Se água houvesse aqui, pararíamos para bebê-la
Não se pode parar ou pensar em meio às rochas
O suor está seco e nos pés há pós
Se aqui só água houvesse em meio às rochas
Montanha morta, boca de dentes cariados que já não pode
cuspir
Aqui de pé não se fica e ninguém se deita ou senta
Nem o silêncio vibra nas montanhas
Apenas o áspero e seca trovão sem chuva
Sequer a solidão floresce nas montanhas
Apenas rubras faces taciturnas que escarnecem e rosnam
A espreitar nas portas de casebres calcinados
Se água houvesse aqui
E não rocha
Se aqui houvesse rocha
Que água também fosse
E água
Uma nascente
Uma poça entre as rochas
Se ao menos um sussurro de água aqui se ouvisse
Não a cigarra
E a grama seca a cantar
Mas a canção das águas sobre a rocha
Onde gorjeia o tordo solitário nos pinheiros
Drip drop drip drop drop drop drop
Mas aqui água não há
Quem é o outro que sempre anda a teu lado?
Quando somo, somos dois apenas, lado a lado,
Mas se ergo os olhos e olho a branca estrada
Há sempre um outro que a teu lado vaga
A esgueirar-se envolto sob um manto escuro, encapuzado
Não sei se de homem ou de mulher se trata
- Mas quem é esse que te segue do outro lado?
Que som é esse que alto pulsa no espaço
Sussurro de lamentação materna
....................................................
A selva agachou-se, arqueada em silêncio.
Falou então o trovão
Que demos nós?
Amigo, o sangue em meu coração se agita
A terrível audácia de uma entrega momentânea
Que um século de prudência jamais revogará
Por isso, e por isso apenas, existimos
E ninguém o encontrará em nossos obituários
Ou nas memórias tecidas pela aranha caridosa
Ou sob os lacres rompidos do esquálido escrivão
Em nossos quartos vazios
............................................
Aqui está alguns versos da poesia em que uni a tradução de Ivan Junqueira (http://sinosdobram.wordpress.com/tag/t-s-eliot/) e do Lawrence Flores Pereira do livro Poesia em tempo de prosa. Retirei algumas parte que julguei desnecessárias a respeito do que quero expressar.

Três canções a você meu amado !

MEU EU EM VOCÊ


Eu sou o brilho dos teus olhos ao me olhar
Sou o teu sorriso ao ganhar um beijo meu
Eu sou teu corpo inteiro a se arrepiar
Quando em meus braços você se acolheu

Eu sou o teu segredo mais oculto
Teu desejo mais profundo, Teu querer..
Tua fome de prazer, sem disfarçar
Sou a fonte de alegria..Sou o teu sonhar

Eu sou a tua sombra, Eu sou teu guia
Sou o teu luar em plena luz do dia
Sou tua pele, proteção..Sou teu calor
Eu sou teu cheiro a perfumar o nosso amor.

Eu sou tua saudade reprimida
Sou teu sangrar ao ver minha partida
Sou teu peito a apelar gritar de dor
Ao se ver ainda mais distante do meu amor

Sou teu ego, Tua alma
Sou teu céu, O teu inferno..A tua calma
Eu sou teu tudo..Sou teu nada
Sou apenas tua amada...
Eu sou teu mundo, Sou teu poder
Sou tua vida.sou meu eu em você.



QUERO SIM





Eu tô com saudade
Da nossa amizade
Do tempo em que a gente
Amava se ver
Eu não sou palavra
Eu não sou poema
Sou humana pequena
A se arrepender
às vezes sou dia
às vezes sou nada
Hoje lágrima caida
Choro pela madrugada
às vezes sou fada
às vezes faisca
to ligada na tomada
Numa noite mal dormida

Se o teu amor for frágil e não resistir
E essa magoa então ficar eternamente aqui
to de volta a imensidão de um mar
Que é feito de silêncio
Se os teus olhos não refletem mais o nosso amor
E a saudade me seguir pra sempre aonde eu for
Fica claro que tentei lutar por esse sentimento

Diga sim ouça o som
Prove o sabor que tem o meu amor
Cola em mim a tua cor
Eu te quero sim sem dor
Diga sim ouça o som
Prove o sabor que tem o meu amor
Cola em mim a tua cor
Eu te quero sim sem dor

às vezes sou dia
às vezes sou nada
Hoje lágrima caida
Choro pela madrugada
às vezes sou fada
às vezes faisca
tou ligada na tomada
Numa noite mal dormida


PÁSSARO DE FOGO

Vai se entregar pra mim.
Como a primeira vez,
Vai delirar de amor, sentir o meu calor
Vai me pertencer...
Sou passaro de fogo, que canta ao teu ouvido.
Vou ganhar esse jogo, te amando feito um louco.
Quero teu amor bandido
Minha alma viajante.
Coração independente.
Por você corre perigo.
Tô a fim dos teus segredos.
De tirar o teu sossego.
Ser bem mais que um amigo..
Não diga que não
Não negue a você.
Um novo amor, uma nova paixão.
Diz pra mim...
Tão longe do chão
Serei os teus pés.
Nas asas do sonho, rumo ao teu coração.
Permita sentir, se entrega pra mim.
Cavalga em meu corpo.
Ô minha eterna paixão.
Vai se entregar pra mim...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Moça indecisa




Estava quietinha como folha molhada após a chuva.
Estava protegida como a rosa numa redoma do Pequeno Príncipe.
Estava sossegada como filhote de pássaro no ninho.
Longe de dores, longe de mentiras, longe de sonhos irreais.
Estava perto do céu, no colo do Pai, ouvindo sua doce voz.
Pensava eu que nada poderia me tirar deste lugar.
Engano.
De repente o veneno laranjado da dúvida cercou-me.
Como um garoto encurralado pelo brigão do colégio,
Como moça indefesa diante do seu agressor,
Como criança abandonada que não sabe para onde correr...
Moço barulhento que você é,
Moço confuso que você insiste em ser,
Moço sem rumo que você deseja ser,
Chegou e atrapalhou e confundiu e balançou a ponte.
Voçê enviou um cavalo atrás de mim, tentava me esconder,
Mas a qualquer respiro num dia distraído ele me achava, e
Em alguns desses dias você veio montado nele...
- Esqueça sua cabeça e o que você pensa, siga seu coração.
- Não posso moço atrapalhado...
- Mas por quê?
- Eu tenho um amor grudado em mim, não sai... preciso deixa-lo no lugar eterno.
- Esqueça sua cabeça e o que você pensa, siga seu coração - várias vezes me disse. - entregue-se a mim.
- Tudo bem moço perdido, vou dar um rumo na sua vida, agora eu decidi, certo?
- Moça indecisa, desculpa, agora não aceito, tenho medo de ser abandonado.
Estava tão quietinha e protegida...
brincou comigo...
tudo bem moço sem rumo, siga seu caminho, mas leve esse cavalo junto, não quero mais esse peso atrás de mim. Deixe-o solto!
Adeus.
Julie F. de Pádua
05.05.2010

Se eu tinha um resto de coração e um fiapo de confiança no ser humano.... esvaiu-se como poeira na estrada...

Café da Manhã - 05 de maio de 2010

Olá queridos ! Hoje envio a segunda parte da nossa meditação sobre o 1º mandamento, que para lembra é Não terás outros deuses diante de mim.

Rejeitar os falsos deuses e denunciar o seu culto não é o suficiente. Precisamos substituir seu culto pela adoração ao Deus do céu !!
Sempre que percebemos que há algo tomando o lugar de Deus, sendo adorado no lugar de Deus, devemos denunciar diante de Deus em oração, dizer que você sabe estar errando e quer concertar, dando honra e glória a Deus novamente !!
A adoração, assim como o amor, é uma atitude do coração. É uma disposição e uma decisão de tornar Deus o primeiro, de colocá-lo no trono da sua vida e de dar-lhe o lugar como soberano, fazendo dele o rei da nossa vida.

Até a próxima !!
Com amor,
Julie

Rifa-se um coração

Recebi esse poema da minha querida amiga Hellen:

Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta
Clarice Lispector