sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fidelidade

Introdução
Ela não tem nome definido, simplesmente é qualquer menina ou mulher por aí, pois no fundo somos todas iguais. Desejamos ser abraçadas, ter o corpo todo beijado e acariciado. Acho que já li algo assim em algum lugar, mas não importa.
Eu já inventei tantas personagens e hoje me parece estranho não definir uma. Há tantas para nascerem...
Tantas histórias sendo escritas, compostas, vividas...
Algumas tornam-se famosas e outras não ousam sair da mente.
Estou mudando de assunto...
Eu estava falando sobre ela, queria resgatar alguma personagem já criada, mas não me recordo os nomes, tenho péssima memória, seria isso bom? Eu senti a inspiração apertar meu coração: há algo para escrever hoje... Que sensação ótima! Saí em busca de algum notebook, mas não consegui. Não poderia permitir que a inspiração fosse embora sem antes dizer a que veio, então recorri ao modo mais clássico, arcaico e demorado para escrever: papel e caneta.
Quem é ela? Tem história e não tem nome...
Hoje em dia usam-se os nomes mais improváveis para as histórias, nunca imaginei alguém com nome de fruta: Amora. Novela tem dessas coisas.
Acabei de achar um nome para ela: Yrina.
Eis a história:
Yrina tem fogo dentro de si. É brava, ansiosa, fogosa, agitada, maluca, mas gosta de ficar só ás vezes, principalmente quando sente falta do marido. Odiro é o nome dele. Viaja por muitos dias. Ele é engenheiro civil. Sim, daqueles bons que põem a mão na massa. Mas não é qualquer engenheiro, é o melhor. O mais caprichoso, o que cobra um preço justo, que atende bem o seu cliente, o que chega primeiro e sai por último. É um homem bom e bonito, apesar do trabalho duro sabe se cuidar. Perfeito ele não é, tem sim um defeito: não pode gerar filhos. Uma dor forte em seu coração. Sendo assim Yrina não tem filhos. A vida dela se resumi em ler, inventar receitas e postar no seu blog, depois de testadas e aprovadas por ela e pelo marido, andar a cavalo, ficar só, algumas atividades estranhas e morrer de saudade de seu homem.
Ele fica quinze dias no trabalho e dez em casa. Esses dez dias são os melhores para ambos, mesmo depois de dez anos de casamento, passam horas fazendo amor, um delirando com o corpo do outro, tem corpos saudáveis, boa dieta e atividades físicas.
Yrina é viciada no cheiro de Odiro, para ela poucas coisas são tão boas.
A fidelidade entre eles é um elemento base para tanta paixão. O sexo é sempre bom e renovado. A distância só aumenta o desejo e apimenta a relação.
Odiro tem muito dinheiro, trabalha em grandes obras, parceiro de engenheiros e arquitetos, o cara é bom. Não importa o quanto ganhe ou que lugar tenha de trabalhar, de quinze em quinze dias para sua amada deve retornar.
São tão ligados um no outro que o resto, lá fora, na vida real, não importa. Deitar de corpo nú, um entrelaçado ao outro, beijos, suspiros, carícias, suor, aromas...
Isso sim é o que a eles interessa.
A vida é sim dura, cheia de desafios e isso não é diferente para esse belo e abençoado casal. A dor de não ter filhos quase os separou, mas quer saber? Quando o amor vem para ficar, nada separa, tudo supera. Assim deve ser o amor.
Yrina poderia sim adotar uma criança, afinal tem tantas sonhando em serem adotadas, mas ela teme não corresponder de forma adequada aos anseios de uma criança e no fundo o que ela queria mesmo é um ser com olhos do pai e a expressão da mãe: Odiro e ela.
Então ela contribui mensalmente com uma boa quantia em dinheiro com um orfanato da região, sua consciência está em paz.
Outro motivo pelo qual ela evita se prender a algo que exija muito dela é o medo de não se importar mais com Odiro, deixá-lo em segundo plano para cuidar de filho, quantas mulheres fazem isso? Muitas. Não há nada que ela faça com tanta intensidade que amá-lo, esse amor a perturba, a intensifica, a escraviza a faz feliz.
Na ausência do marido ela se ocupa com outras atividades, desconta seus sentimentos de raiva e revolta, por questões que agora não vem ao caso, na cozinha, não pelo fato de comer, mas pelo de cozinhar, sua segunda paixão. Ela mesma prepara as refeições dos empregados da fazenda em que mora. Toda a ansiedade que sente pela vontade de estar com seu amado ela aprendeu a descontar na academia, passa horas malhando, e no final vale a pena, sempre. Quando se sente agitada ela anda a cavalo. Ama cavalos, um animal silencioso, tranqüilo e poderoso. Toda sua maluquice ela transfere para as receitas que cria. Yrina, apesar de tudo, conserva certa solidão boa, gostar de ficar sozinha, mas tem momentos que não tem como segurar então ela desconta esses sentimentos em apresentações sensuais na boate da cidade, de quinta a domingo ela está lá. Quando o marido está em casa ela não vai, lógico.
Como disse, ela gosta de ficar só, só de langerie. Nua por completo não, isso é privilegio somente do marido. Ninguém a toca, a possui, só ele. A fidelidade é um elemento base na relação dos dois. Odiro é seu maior fã, acompanha os shows via internet.
Talvez você pense que é um casal muito esquisito, mas isso não importa. O script dentro de uma relação nem sempre é saudável, o pronto, o comum, o que todo mundo sabe não tem graça. A paixão, o amor, o respeito, a fidelidade, a confiança e um pouco de safadeza faz bem.
Yrina e Odiro: um casal que só é feliz por se permitirem ser quem são.
11.7.13

By Julie de Pádua                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pergunta

Julie diz pra Deus:
Pai... quando eu for para o céu, eu posso levar meu notebook e acesso a net?
Deus: hummm filha... receio que não, mas por quê?
Julie diz: é que eu amo demais meus blogsssssssss !!!!
Deus: bobinha.... lá vc nem vai ter tempo para se lembrar dessas coisas... por isso aproveite !
Julie diz: é Deus.. vc me entende...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Incompreensível

A vida como ela é... já escreveu Nelson Rodrigues. O curioso disso é que essa vida tem várias formas, a vida é pra mim aquilo que não é para o outro. Vemos as coisas de formas diferentes, entendemos, percebemos e fazemos as coisas de formas diferentes e por que insistimos no erro de querer que o outro faça, veja, perceba e sinta tudo da mesma forma que a gente? Que ignorância patética! Eu amo de uma forma diferente, eu faço as coisas de uma forma diferente enfim EU VIVO de uma forma diferente EU SOU diferente. Incompreensível e incompreendida. Louca com certeza, mas não insana, pois ainda sei o limite da razão e da loucura. Falo o que penso, mas não acho isso certo, pois a maior parte das pessoas não estão preparadas para ouvir a verdade. Eu sei que isso é assim, pois algumas vezes eu estou do lado de lá. E nem sempre tenho razão. É ruim você passar anos vivendo e acreditando em alguma coisa que agora já não me parece tão interessante.E agora fica a pergunta: admitir isso é loucura ou coragem? Fazer manifestações e revoluções é importante, pensar e refletir sobre a vida, o mundo, o governo e as pessoas é sim importante. Mas quantos de nós se voltam para dentro de si com o mesmo olhar de crítica?

Por Julie de Pádua
05/07/13