quarta-feira, 8 de março de 2017

Onde começa a aprendizagem

Toda aprendizagem começa ao nível da emoção.  As pessoas absorvem aquilo que se sentem interessadas em absorver,  e rejeitam o que querem rejeitar.

Se têm uma atitude positiva em relação a determinada coisa que ouvem,  tendem acatá-la; mas se tem para com ela uma atitude negativa,  a tendencia é fugir dela.

Se temos sentimentos negativos para com alguém,  rejeitamos tudo que ele diz,  pois rejeitamos a pessoa dele.

Mas quando gostamos de alguém e sabemos que tem interesse por nós,  estamos dispostos a atender seus pedidos por mais incomuns que sejam. E podemos também vir a amar o Deus que ele prega,  já que ele fez dele um ser que admiramos.

Ninguém tem o mínimo interesse pelo que nós temos a comunicar, a não ser que percebam que temos interesse nele pessoalmente.

Como se mostram seus alunos? São receptivos ou têm uma atitude fria para com você?

É possível que quando nossos alunos nos ouvem estejam pensando:  já ouvi essa conversa antes.  E tem mais: tenho quase certeza de que voce é tão superficial quanto quem me falou sobre esse assunto da primeira vez. Se isso estiver acontecendo,  vamor ter que "suar muito" para modificar a situação.
Um recurso que pode ajudar-nos a mudar esse quadro é imaginar que,  sempre que entramos na sala de aula ,  todos os alunos estão com uma arma apontada para nós.  Nosso objetivo então é agir de forma a convencê-los a baixá-la.  É preciso,  então,  estabelecer com eles um relacionamento genuíno,  uma comunicação de alma para alma,  para que possam entrar plenamente no assunto que estamos lecionando.

Isso só se consegue com o coração.

Imagine o que se passaria no coração de um adolescente,  se,  no momento em que saía da sala,  seu professor de escola dominical o puxasse para si e o abraçasse dizendo:  "Meu filho,  quero lhe dizer que estou do seu lado; estou orando por você.  Se algum dia precisar de qualquer tipo de ajuda pode me procurar,  está bem?  Estou com você para o que der e vier. "

Esse garoto nunca mais se esqueceria daquele professor.  Sabe por que afirmo isso?  Porque aconteceu comigo quando era garoto. 

Quando visito minha igreja de origem em Filadélfia, muitos dos crentes de lá me abraçam e dizem: 

"Ó Howard,  a gente tem tanto orgulho de você!". 

Mas o que eu tinha vontade de dizer para alguns  deles era: " Sabe de uma coisa, você  não fez nada por mim! Muita gente ali só me via como o moleque levado da Rua 7. Mas como dou graças a Deus pelos poucos que me olhavam com outros olhos. Agradeço a Deus Diariamente por aqueles que tiveram um pouco demora Cristão e me disseram: " Tudo bem, Howie! Estamos com você, nós o amamos e estamos orando por você!'

 Suponhamos então que alguém tem uma classe de meninos adolescentes, e há ali um garoto que detesta a escola dominical, e está vindo à igreja forçado. Não se pode simplesmente ignorar o fato. O que vamos fazer então é conversar com ele. Podemos chamá-lo para tomar um refrigerante depois do culto, ou em outro momento mais propício e aproveitar para uma conversa amistosa.

---  Você acha realmente muito chato vida escola dominical, não é?
--- É.
---  Aliás, se dependente de você, nunca viria não é verdade?
---  Isso mesmo.
--- Pois eu quero lhe dizer que tenho muita alegria em ver você na classe, muita alegria em conhecê-li. Acho muito bom você estar em nossa classe. Mas entendo o que sente. Também já fui adolescente, embora você talvez nem acredite nisso; mas já fui sim. E sei bem o que você está passando. Mas tudo bem. Gosto de você assim mesmo.

Depois vamos ver como a atitude dele muda. Ainda virá à igreja obrigado, mas o professor não é mais um inimigo. Está do lado dele.

O problema pode ser outro. Alguém leciona em uma classe de crianças pequenas. Certo domingo, Joaninha chega à igreja de sapato novo. A professora não faz nenhuma menção do fato. Sabe quando vai ter de fazer? Bem no meio da lição. Ela está quase chegando ao ponto máximo da história; as crianças se acham todas atentas, os olhos fixos nela e de repente Joaninha pula da cadeira e diz:
--- Tia, eu vim sapato novo !  

Claro que se a professora gostasse tanto de sapatos novos quanto a menina gosta, falaria alguma coisa a respeito deles também. 

É por isso que assim que a menina entrar na sala a professora deverá dizer:" Oi Joaninha! Mas você está hoje de sapato novo, hein?"

E lá no meio da história, dá um jeito de falar sobre alguém que ganhou sapatos novos: "...igual a Joaninha!" Assim ela prestará atenção à professora o tempo todo.

Páginas 96 a 99
Livro: Ensinando para transformar vidas
Howard Hendricks~
Editora Betânia
1987

terça-feira, 7 de março de 2017

Estabelecer pontos de ligação

Uma das alunas da classe,  Mary,  é divorciada tem dois filhos,  dois garotos,  que vivem com ela.  E na classe há outros alunos em situação mais ou menos igual.  A primeira coisa que Mike tem a fazer é como que "entrar" na vida de alunos como Mary,  para conhecê-los.  Não pode simplesmente supor que eles têm uma experiência semelhante à dele e sua esposa.

Então Mike e Beth deverão procurar conviver mais de perto com Mary para estabelecer pontos em comum,  para descobrir que problemas ela enfrenta.  Assim convidam-na com os filhos para um churrasco em sua casa,  quando conversam longamente.  Depois convidam-na para ir a um concerto sinfônico.  Mais tarde,  Mike vai fazer uma pescaria com seus dois filhos e chama também os filhos de Mary.  Durante esse convívio,  Mike e Beth criam uma série de pontos comuns entre eles e Mary,  que se tornam uma base para seu relacionamento.  Assim ele conquista o direito de comunicar,  ensinar a Mary nas classes de domingo;  ele ganha uma ouvinte.

A clássica ilustração bíblica para esse processo é o texto de João 4, o diálogo de Jesus com a mulher samaritana.  O ponto que ambos possuem em comum é: estão com sede.
--- Quer me dar um pouco de água?  ele indaga.  A mulher fica muito espantada.
--- Como é que você,  um judeu,  pede água a mim,  uma mulher samaritana?

Jesus toma a iniciativa,  e procura não fazer nenhum julgamento prévio.  Pelo contrário,  derruba todas as barreiras existentes --- racial,  religiosa,  sexual,  social e moral com a finalidade de criar uma base para comunicar-se com ela. 

E essa é também a nossa tarefa.  É isso que temos de fazer.  É o processo de estabelecer pontes de ligação entre nós e outros.  A lei da comunicação aponta para esse processo:  para que haja comunicação é necessário que se estabeleçam pontes de ligação entre o comunicador o receptor. 

Alguns anos atrás convidei minha tia para ir a um culto evangelístico.  Era a primeira vez que conseguia levá-la a um lugar onde se pregava o evangelho.  Ao fim da mensagem o pregador disse: 
"Peço à congregação que fique de pé, todos de pé." 
E todos se levantaram.
"Agora",  continuou ele, "peço aos crentes que se sentem."
Olhei para minha tia e percebi em seu rosto uma expressão de frieza,  e ela apertou os lábios com raiva e constrangimento.  Só três anos depois foi que consegui levá-la a uma igreja de novo,  e assim mesmo porque ela sabia que era eu quem ia pregar.
"Sei que você nunca usaria um artifício desses." disse ela. 

Amigo,  temos que procurar descobrir como as pessoas por aí estão se sentindo.  Muitas morrem de medo de entrar em nossas igrejas, e eu até lhes dou razão.

Página 74, 75
📖 Ensinando para transformar vidas.
Howard Hendricks
Editora Betânia

domingo, 5 de março de 2017

Por que leio?

Hoje eu estava lendo um livro chamado "Ensinando para transformar vidas" do autor Howard Hendricks. Em certo momento ele fala assim "Não percamos de vista nosso objetivo. É ele que irá determinar o produto final. Nós só obtemos aquilo que estabelecemos como meta". Em outro momento ele fez com que eu refletisse a respeito do que eu tenho feito com todo o meu conhecimento. Como eu aplico tudo o que aprendo em minha vida. Isso começou a me incomodar. Afinal, para que leio tanto? Por que leio tanto?

Estou a horas pensando nisso. Por que eu leio, talvez seja fácil responder: leio porque gosto. Mas aí comecei a perceber que isso não me leva para lugar algum. Gostar de alguma coisa não faz diferença na vida de ninguém. É fácil gostar das coisas. Agora, preciso entender para que leio tanto, qual é o meu objetivo, aonde quero chegar com tudo isso? 

Até algum tempo atrás eu lia por ler, por gostar simplesmente. Mas depois de julho de 2016 eu comecei a ler todos os dias e não consigo ficar sem ler. Viciei mesmo. Invisto muito do meu tempo lendo, mas preciso ter um objetivo para isso. Quando leio histórias, ficcão eu fico tranquila, pois são só histórias, isso vai me dar um bom repertório vocabular, criatividade, ideias, conhecimento de mundo e etc. Agora quando leio livros cristãos fico muito angustiada, porque leio coisas realmente sérias, úteis e importantes. Coisas que eu queria que todas as pessoas do mundo soubessem, sim, todas. 

Com essa angustia no coração tento compartilhar algumas coisas no grupo do whatsapp, outras coisas compartilho no grupo do facebook, mas eu não tenho o retorno que desejo, não é satisfatório ainda. É neste ponto que estou perdida. Para que ler se não tenho com quem compartilhar. O fato de eu postar em algum lugar não é garantia de leitura porque a maior parte das pessoas não gostam de ler. Isso me frustra, me irrita, porque sei que as pessoas estão perdendo muita coisa boa porque não gostam de ler.E eu não sei o que fazer.

Outra coisa que me faz pensar sobre isso é que leio muita coisa boa e não guardo tudo na memória. São muitas coisas para aprender e praticar. Será que eu deveria diminuir o ritmo de leitura de livros cristãos? Ler mais lentamente e meditar mais sobre o que leio? Verificar se estou praticando aquele ensinamento? Talvez seja essa a resposta. Mas com quem compartilhar? Talvez com ninguém? Pois ficar postando coisas para ninguém ler e ficar me sentindo rejeitada não está legal.

Qual o objetivo da minha leitura? Mudar. Eu leio porque quero mudar, leio para refletir e mudar. Quando eu estiver verdadeiramente mudada para sempre, Deus irá me colocar numa posição de destaque onde muitas pessoas vão querer me ouvir. 

É exatamente como Jesus, ele não ficava implorando ou sendo chato para que as pessoas o ouvissem ou para que pudesse ajudá-las. As pessoas o procuravam, iam atrás dele e não o contrário. Eu preciso parar com isso, parar de querer que as pessoas me apreciem, gostem de mim e parem para me ouvir falar ou para ler aquilo que escrevo ou compartilho. 

Jesus era um cara solitário intelectualmente, ele era estudioso, sábio, leitor e tenho certeza de que ele desejava ter alguém para compartilhar a palavra e as coisas que aprendia, mas até onde sei ele não teve. Se tivesse, haveria registro disso na Bíblia. Então ele seguiu seu caminho solitário e um dia ele foi ouvido e ainda é por muitas pessoas. Ele aprendeu para crescer, não sei mudar, porque ele foi perfeito, mas crescer, com certeza. E fez algo muito grande.

Bem, acho que consegui definir minha meta, meu objetivo para continuar lendo e aprendendo. Vou mudar e Deus vai me usar.

Julie