terça-feira, 7 de março de 2017

Estabelecer pontos de ligação

Uma das alunas da classe,  Mary,  é divorciada tem dois filhos,  dois garotos,  que vivem com ela.  E na classe há outros alunos em situação mais ou menos igual.  A primeira coisa que Mike tem a fazer é como que "entrar" na vida de alunos como Mary,  para conhecê-los.  Não pode simplesmente supor que eles têm uma experiência semelhante à dele e sua esposa.

Então Mike e Beth deverão procurar conviver mais de perto com Mary para estabelecer pontos em comum,  para descobrir que problemas ela enfrenta.  Assim convidam-na com os filhos para um churrasco em sua casa,  quando conversam longamente.  Depois convidam-na para ir a um concerto sinfônico.  Mais tarde,  Mike vai fazer uma pescaria com seus dois filhos e chama também os filhos de Mary.  Durante esse convívio,  Mike e Beth criam uma série de pontos comuns entre eles e Mary,  que se tornam uma base para seu relacionamento.  Assim ele conquista o direito de comunicar,  ensinar a Mary nas classes de domingo;  ele ganha uma ouvinte.

A clássica ilustração bíblica para esse processo é o texto de João 4, o diálogo de Jesus com a mulher samaritana.  O ponto que ambos possuem em comum é: estão com sede.
--- Quer me dar um pouco de água?  ele indaga.  A mulher fica muito espantada.
--- Como é que você,  um judeu,  pede água a mim,  uma mulher samaritana?

Jesus toma a iniciativa,  e procura não fazer nenhum julgamento prévio.  Pelo contrário,  derruba todas as barreiras existentes --- racial,  religiosa,  sexual,  social e moral com a finalidade de criar uma base para comunicar-se com ela. 

E essa é também a nossa tarefa.  É isso que temos de fazer.  É o processo de estabelecer pontes de ligação entre nós e outros.  A lei da comunicação aponta para esse processo:  para que haja comunicação é necessário que se estabeleçam pontes de ligação entre o comunicador o receptor. 

Alguns anos atrás convidei minha tia para ir a um culto evangelístico.  Era a primeira vez que conseguia levá-la a um lugar onde se pregava o evangelho.  Ao fim da mensagem o pregador disse: 
"Peço à congregação que fique de pé, todos de pé." 
E todos se levantaram.
"Agora",  continuou ele, "peço aos crentes que se sentem."
Olhei para minha tia e percebi em seu rosto uma expressão de frieza,  e ela apertou os lábios com raiva e constrangimento.  Só três anos depois foi que consegui levá-la a uma igreja de novo,  e assim mesmo porque ela sabia que era eu quem ia pregar.
"Sei que você nunca usaria um artifício desses." disse ela. 

Amigo,  temos que procurar descobrir como as pessoas por aí estão se sentindo.  Muitas morrem de medo de entrar em nossas igrejas, e eu até lhes dou razão.

Página 74, 75
📖 Ensinando para transformar vidas.
Howard Hendricks
Editora Betânia

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